Dados todos os conceitos que os cineastas têm usado para passar maldições malignas de um personagem infeliz para outro – “se eu assistir a essa maldita fita de vídeo eu vou morrer?” -, Verdade ou Desafio é uma verdadeira maravilha.

O filme começa com a “boa menina” Olivia (Lucy Hale) negligenciando o seu compromisso de trabalho para ir à festa com os amigos no México. Daí você já sabe que vai haver problemas. Sua melhor amiga Markie (Violett Beane), o namorado de Markie, Lucas (Tyler Posey), e todos os seus outros amigos bebem por uma semana, decidindo posteriormente que seria divertido ir para uma missão fracassada (ou como chamamos no Brasil: programa de índio) – em um local remoto, na escuridão total, em um país estrangeiro, com um cara que se parece com Harry Potter (Landon Liboiron) que os convida para jogar Verdade ou Desafio. Algo do mal aparece, e depois que os jovens vão para casa, eles começam a ver e ouvir coisas bizarras, prendendo-os em uma continuação do jogo, agora se tornando magicamente mortal.

Este filme de terror não é original. Por vezes se torna enfadonho e indefinido o suficiente para que você sinta vontade de deixar de vê-lo. O final, que é tão enlouquecedoramente tolo, praticamente te avisa para nunca mais assistir. A premissa de verdade ou desafio é bastante clichê, não traz nenhuma novidade diferente das outras linhas de longas metragens de gênero “jogos inocentes transformados em ritos diabólicos”. Esses filmes sistematicamente eliminam todos os membros atraentes do elenco, enquanto o sangue, o sexo e a linguagem são controlados o suficiente para garantir uma avaliação amigável aos adolescentes que assistem. De alguma forma, no entanto, isso não impede que o filme use estupro infantil e outros relacionamentos adultos-jovens inapropriados como dispositivos de enredo. É impossível adivinhar exatamente como foi elaborado o enredo de Verdade ou Desafio, mas com certeza parece que alguém disse: “Ei, esses filtros do Snapchat parecem estranhos. Poderíamos fazer um filme sobre isso?”

A atuação, a escrita e a direção são todas padronizadas. As supostas surpresas são mal interpretadas. Sem nada genuinamente estranho ou novo para oferecer, o filme depende quase exclusivamente de ruídos muito altos para afetar os espectadores. E então, no final – que não será mais estragado aqui com spoilers –, você para, reflete sobre o que acabou de ver e se pergunta: onde o produtor e o diretor estavam com a cabeça?

Será que os cineastas estavam totalmente sem idéias? Eles estavam tão desesperados para montar uma franquia? Se tiver sorte, você nunca será forçado a refletir sobre essas questões.

Ficha técnica:

  • Elenco: Lucy Hale, Violet Beane, Tyler Posey, Hayden Szeto, Landon Liboiron, Sophia Ali, Nolan Gerard Funk
  • Diretor: Jeff Wadlow
  • Roteiristas: Jillian Jacobs, Michael Reisz, Christopher Roach, Jeff Wadlow
  •  Estúdio: Universal Pictures
  • Empresa de produção: Blumhouse
  • Produtores: Jason Blum, Couper Samuelson
  • Produtores executivos: Christopher Roach, Jeff Wadlow
  • Diretor de fotografia: Jacques Jouffret
  • Designer de produção: Melanie Jones
  • Figurinista: Lisa Norcia
  • Editor: Sean Albertson
  • Compositor: Matthew Margeson
  • Diretores de elenco: Sarah Domeier, Terri Taylor
  • Gênero: Horror
  • Tempo de execução: 100 minutos
  • Classificação: 14 anos
  • Conteúdo: violência e conteúdo perturbador, abuso de álcool, alguma sexualidade, linguagem e material temático

Assista ao trailer oficial do filme legendado:

VALE MESMO A PENA IR AO CINEMA ASSISTIR VERDADE OU DESAFIO?
3.4Pontuação geral
ORIGINALIDADE
FOTOGRAFIA
TRILHA SONORA
ATUAÇÕES
DESENVOLVIMENTO

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