Não adianta reclamar. Temos trânsito à beça, é verdade. Temos um milhão de contatos em todos os minutos nas redes sociais. Somos muitos, muitos em cada contexto. Mas existe algo maior quando, ao se encaminhar para experienciar uma obra de arte, centramos nossa energia nessa atividade. Arte nunca foi algo mecânico – talvez aí seu grande mistério de atração. Quando entramos em uma sala de concerto ou em uma galeria de arte, a comunicação se estabelece.

Aqueles minutos anteriores, em que sua alma sai da rotina e da grande roda-gigante de atenções que se tornou a existência contemporânea, são fundamentais. Você está chegando ainda – Você está ainda chegando – não seu corpo, mas sua alma, sua atenção, sua vibração, sua energia. Deste modo, é necessário o olho no olho, as luzes acesas antes do espetáculo. Nunca se esqueça disso.

Mas sempre há os que chegam depois, entram em um recinto de troca como se chegassem a uma festa, interrompem tudo. Quando chegamos atrasados a um evento, o melhor a fazer é entrar em silêncio, buscar uma cadeira próxima e tentar parar a influência exterior sobre você. Só assim você conseguirá aproveitar um pouco da magia, porque a arte não pode ser reposta ou igualmente reexperienciada – o momento de execução é único e “irrepetível”.

Existe um quadro ainda pior: aqueles que chegam com muitos minutos de atraso e acabam presos na bilheteria ou na porta do local. Aí, meu caro, não adianta espernear ou gritar: chega um momento em que o espetáculo ou a exposição ou o recital precisa se fechar. Energia que circula e precisa ser retida. Na arte, se alguém comunica, outro alguém é necessariamente comunicado. E nem adianta pedir mais um minutinho de tolerância. Volte outro dia.

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