Séries pós-apocalípticas têm, inquestionavelmente, um lugar especial na grade de muitos seriadores. Por algum motivo, elas acabam sendo aclamadas mesmo que percam seus atrativos e caiam em um roteiro preguiçoso (e se você costuma assistir a séries desse gênero com certeza encontrou algum título para se encaixar aqui). Se ainda há espaço para o fiasco The 100 entre o público, nada mais justo que The Rain, que comete menos pecados, também tenha sua chance.

Produzida pela Netflix, a dinamarquesa The Rain estreou semana passada e já divide opiniões quanto a sua qualidade. O enredo é baseado na ocorrência de uma chuva mortal que dizima grande parte da população que entra em contato com a água contaminada por um vírus desconhecido. Surpreendentemente, o pai da protagonista Simone (Alba August) tem um bunker preparado para a sobrevivência da família durante esse caos e parece ter informações secretas sobre a origem da tempestade. Simone é incumbida de cuidar do irmão Rasmus (Lucas Lynggaard Tønnesen), responsabilidade que pesa sobre seus ombros após a morte da mãe e o sumiço do pai. Os irmãos, então, passam seis anos dentro do bunker sem contato com o mundo externo até que chega a hora de eles procurarem informações sobre situação atual. Logo, juntam-se a outros sobreviventes para entender melhor o que houve com o mundo que conheciam e para continuar vivos.

The Rain tem características importantes para manter o suspense e o clima de perigo necessários para o sucesso de uma produção sobre o pós-apocalipse: a fotografia usa uma paleta de cores fria, a sonoplastia é bem colocada, a ambientação é bem pensada. Além disso, o enredo não é enrolado. O tempo todo o espectador sabe qual é o objetivo atual das personagens e assiste a ações feitas em prol desse objetivo. Outro aspecto positivo é o dilema moral presente em diversos momentos da série que faz o espectador pensar no que faria se estivesse no lugar das personagens e ter dificuldade em julgar as escolhas de cada uma delas. É, também, fácil criar empatia por alguma personagem graças a atitudes e flashbacks introduzidos em momentos certos. Apesar disso, é impossível não se irritar com atitudes mal pensadas dos “heróis”.

Desde o início da série, situações tensas poderiam ser evitadas se as personagens fossem só um pouquinho mais espertas. A impulsividade e imaturidade de Rasmus podem até ser justificadas por ele ter passado a puberdade preso em um bunker, sem qualquer tipo de socialização além da convivência com a irmã, mas isso não faz com que o espectador fique com menos vontade de mandá-lo cair na real. Não apenas ele, outras pessoas fazem coisas sem sentido difíceis de engolir, assim como é difícil de engolir alguns furos de roteiro e situações forçadas que parecem existir por uma falta de capacidade dos roteiristas de pensar em algo melhor para mover o enredo. De qualquer forma, esse parece ser um problema de grande parte das séries pós-apocalípticas, então dá para relevar. As respostas para os questionamentos dos protagonistas são previsíveis e também dão a sensação de que o roteiro poderia ser mais bem pensado, mas, para mim, o que contou foi como os clichês foram trabalhados e, por eu ter ficado tensa em muitas cenas, o resultado não foi totalmente negativo.

The Rain, portanto, não é ambiciosa nem muito original. Por ser uma série curta, no entanto, não é nenhum fardo assisti-la e é um bom passatempo. É o tipo que produção que não me faria falta caso fosse cancelada, mas que eu com certeza assistiria a uma possível segunda temporada.

"THE RAIN": A NOVA FICÇÃO PÓS-APOCALÍPTICA SEM MUITAS NOVIDADES
3.7Pontuação geral
ORIGINALIDADE
FOTOGRAFIA
TRILHA SONORA
ATUAÇÕES
DESENVOLVIMENTO

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