Participar de uma feira como a Flib, que foi realizada na cidade de Bonito/MS de 04 a 07 de julho de 2018, representa um marco na carreira de um escritor. E, devo salientar que uma coisa me surpreendeu bastante no evento e de forma bem positiva: a presença de escritores douradenses foi muito marcante e deixou claro que Dourados desponta no cenário literário de Mato Grosso do Sul como um celeiro de talentos. Destaco aqui, em especial, a participação de Emmanuel Marinho, Luciano Serafim e Fernanda Ebling.

Emmanuel Marinho é poeta, ator e educador e de acordo com Antônio Miranda pode ser considerado uma das maiores referências da cultura do estado. Marinho tem experiência tanto na poesia quanto no teatro, sendo que suas obras tornaram-se objeto de estudo para várias dissertações de mestrado e teses de doutorado em diferentes universidades do Brasil, como a UFMS, UFGD, UNESP e USP. O autor já desfilou seu talento pelos maiores eventos de literatura do Brasil, como a FLIP (Festa Literária de Parati) e a Jornada de Literatura – Passo Fundo/RS.

Fernanda Ebling e Luciano Serafim são os nomes por trás da Editora Arrebol Coletivo, Na sua proposta, o Arrebol busca a divulgação, o incentivo e a difusão da literatura produzida por escritores de Mato Grosso do Sul.  O trabalho de edição prioriza obras que são inéditas, buscando demonstrar a pluralidade da produção cultural do estado. O grande diferencial do Arrebol está no fato de apostar na produção artesanal de seus livros, viabilizando custos tanto aos leitores quanto aos autores. O Arrebol Coletivo já está na estrada faz cinco anos e surpreende pela delicadeza e qualidade do material que produz.

No caso de Fernanda e Luciano, além do Arrebol, também se destaca a carreira literária de ambos. Entre os livros de poesia publicados por eles estão “Entre Cacos, Desapego-me” (F. Ebling) e “Sururu com Coca-Cola” (L. Serafim). A poesia produzida pelos dois traz em si as representações da vida, de sujeitos que lutam e se transformam, buscando um constante processo de (re) nascimento.

Como se percebe, Dourados possui um coletivo de escritores muito forte. A presença dessas pessoas e suas labutas diárias para valorizar a literatura produzida na cidade e no estado demonstram um princípio de resistência diante do desmonte cultural que presenciamos cotidianamente e que pode ser traduzido em ações como o fechamento da biblioteca pública da cidade.

Emmanuel, Fernanda e Luciano, entre outros nomes que poderiam ser aqui citados, formam um conjunto do que podemos chamar de “heróis da resistência”. Pessoas que acreditam em um sonho e que não tem vergonha de lutar por ele.

 

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