Entre os tópicos mais importantes que formam um bom texto, estão a concisão e a verossimilhança. A concisão trata da agilidade do texto e a verossimilhança da verdade que o texto passa ao leitor.

Dizer que um texto precisa ser rápido não quer dizer que, necessariamente, ele precisa ser curto, mas sim ágil. Um exemplo disso são os livros da série Harry Potter, As Crônicas de Gelo e Fogo e as séries do detetive Lincoln Rhyme de Deaver. Todos verdadeiros calhamaços, mas de leitura extremamente concisa.  Isso quer dizer que existe muita informação no texto e que o leitor vai perdê-la se pular algumas páginas.

E na contramão da agilidade de um texto literário vêm a prolixidade e o uso excessivo de adjetivos e advérbios. Vamos a um exemplo:

Caros amigos, o consenso sobre a necessidade de qualificação assume importantes posições no estabelecimento do sistema de participação geral. É claro que a adoção de políticas descentralizadoras maximiza as possibilidades por conta do fluxo de informações. É importante questionar o quanto o desenvolvimento contínuo de distintas formas de atuação garante a contribuição de um grupo importante na determinação do investimento em reciclagem técnica.”

Evidentemente o texto parece ter sido bem escrito, mas você consegue compreender alguma coisa dele? Na verdade, esse texto foi criado no gerador de Lero-Lero (link do site ao final) e apresenta uma prolixidade excessiva, que não permite objetivo ao texto.

Outro pecado é o uso excessivo de adjetivos. Vamos a outro exemplo:

“Rafael beijou a boca de sua amada. Sua tez refletia o orvalho agonizante da última flor que ainda absorvia o brilho da lua e seu sorriso apresentava uma linha pulsante que fazia com que o amado a beijasse com mais vontade. Sentiam um pelo outro um amor verdadeiro, puro e inocente, como uma brincadeira de criança.”

Aqui o autor usa adjetivos e metáforas para qualificar e comparar os personagens. Mas isso só faz o texto ser raso e pouco informativo. Dizer que a tez da personagem refletia o orvalho só confunde o leitor e nada diz sobre sua aparência. Assim como pontuar que o sentimento do casal era um amor verdadeiro e inocente, pouco acrescenta à narrativa. Nesse caso, seria melhor que o leitor mostrasse através de uma cena a ligação dos personagens.

E isso é outra lição importante na escrita: mostre, não conte. Pode parecer mais fácil escrever que Rafael amava Pâmela e o amor do casal era puro e verdadeiro, mas isso não cria uma ligação entre o leitor e os personagens. Em vez disso, o autor deve mostrar, por meio de ações e diálogos, a razão desse amor ser dessa forma. Veja, o leitor pode entender que os dois se amam sem que o autor precise escrever isso. Os diálogos, a forma com que os personagens se tratam, as preocupações que um tem com o outro devem ser o bastante.

Eliminando a prolixidade e o uso excessivo de adjetivos para qualificar sentimentos e ações, pode-se extrair a concisão de um texto. Ou seja, deixar a leitura rápida, dizendo mais e narrando menos.

Já a verossimilhança é a verdade que um texto passa. Note que um texto não precisa ser realista para ser verossímil, mas sim que as ações narradas dentro de uma existência ficcional convençam o leitor que poderiam, de fato, acontecer naquele determinado universo.

No mundo real é possível que um detetive, na busca incessante por um criminoso, vá ao banco em seu tempo de folga e, ao aguardar na fila de espera, acabe morrendo engasgado com uma goma de mascar. Vemos notícias malucas como essa o tempo todo, mas isso não pode acontecer na literatura (a menos que se trate de comédia ou sátira) com o risco de se tornar inverossímil.

Fazer com que o detetive morra engasgado com uma goma de mascar não é parte da história, mas sim uma solução Deus ex-Machina, como Aristóteles chamava. Ou seja, a solução vem por fora do texto e não por meio do enredo já construído.

E isso reflete nas reviravoltas de narrativa. O autor não pode tirar finais surpreendentes do nada, em vez disso, deve colocar pistas no decorrer do livro que sugiram essa possibilidade. Veja, Assis Brasil costumava dizer que, se uma personagem vai morrer de tuberculose ao final do livro, ela deve começar a tossir lá pela página dez.

É preciso entender que o bom texto ficcional é aquele que faz com que o leitor fique imerso em suas páginas e acredite que o que está acontecendo pode ser verdade. Como exemplo temos os livros da série Harry Potter que, por mais que contem histórias irreais, são extremamente verossímeis, pois tratam de um universo que respeita regras e construções sólidas.

Portanto, antes de tratar de Construção de Universo, o primeiro passo é trabalhar na concisão e na verossimilhança que o texto passa.

Por fim, mais uma vez recomendo o curso de escrita criativa do professor Marcelo Spalding (http://www.escritacriativa.com.br/)

Gerador de Lero-Lero: http://www.dicas-l.com.br/lerolero/#axzz3LoSusRmp

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