No mundo da informação pautada nos princípios da internet, a lógica do pensamento deveria ser de amplitude em todos os sentidos, já que o “mundo líquido”, conforme proposto pelo filósofo Zygmunt Bauman – constituído de identidades cada vez mais fluídas e efêmeras – promove justamente a interface com a diferença. Assim, circulando pelos caminhos da infovia percebemos a multiplicidade que significa o Ser no mundo.

No entanto, apesar de toda essa fluidez, a cada dia mais nos deparamos com notícias que relatam a violência, a intolerância e o ódio contra a diversidade e a diferença. Exemplo recente desse contexto permeou as redes sociais no ano de 2017, o qual foi marcado por momentos em que várias casas de religiões de matrizes africanas no Brasil, sofreram ataques e foram depredadas. Essas ações de violência também acabaram atingindo os frequentadores desses locais.

Em certo ponto, esta contingência lembra o período das cruzadas, ocorrido na Idade Média, quando as pessoas não tinham acesso ao conhecimento que se tem hoje… Então, estamos próximos de viver uma nova Idade Média? Por que motivo não há o respeito à diferença? O que se quer provar atacando à religião/religiosidade do outro?

Foi pensando em todas essas questões que a Luva Editora, sediada no Rio de Janeiro, local onde alguns dos ataques aconteceram, resolveu colocar-se e trabalhar a ideia da diversidade religiosa. Para isso, criou uma proposta diferente que originou o 1º romance coletivo da editora: Rio Vermelho. A obra conta com 26 autores, entre eles Cesar Bravo (Ultra Carnem), Oscar Nestarez (Bile Negra) e Soraya Abuchaim (Vila dos Pecados).

Informações obtidas junto à editora revelaram que Rio Vermelho é um romance de terror clássico o qual traz em suas linhas muitas informações sobre a história da escravidão no Brasil, além de fazer críticas à intolerância religiosa, ao racismo e afirmar a necessidade de discutir a nossa origem enquanto nação.

A narrativa foi construída a partir de um roteiro proposto pelos organizadores do projeto, entre eles Vitto Graziano (Bella Máfia) e pretende, através das páginas da história, promover uma mensagem de respeito à diversidade e ao outro.  O lançamento da obra está previsto para julho de 2018.

Outros autores conhecidos no cenário da literatura de terror/horror no Brasil também assinam o romance: Caesar Charone, Renata Maggessi, Alan de Sá, Bruno Godoi, Talita Facco, Brunna Brasil, Ricardo Ventura, Henrique de Micco, Luciano Pezzan, Gustavo Lopes, José Beffa, Isaque Lazaro, Thiago Kuerques, Jonatan Magella e W.F. Endlich.

 

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