Naturalmente não me sinto tão confortável para escrever sobre filmes de comédia romântica, parte porque quando vou listar filmes para assistir, poucos deles fazem parte dessa categoria. Aqui temos um filme que curiosamente, após ter dito que o gênero não é o meu favorito, ele está entre os que mais gosto de rever sempre, em diversos momentos da minha vida.

“500 dias com ela” ou “500 days of Summer”, como é originalmente conhecido, não é um filme propriamente comum ao que a maioria estão acostumados a ver. A cultura dos filmes desse gênero na maioria das vezes levam o espectador a fazer uma reflexão minima sobre a construção do amor, não estou dizendo que se tratam de filmes genéricos, mas em grande parte eles não nos transportam para uma realidade fora dos contos de fadas e consequentemente fazem com que quem assista se torne alguém alienado quando o assunto é relacionamento.

Sobre o filme 

Sobre a perspectiva de Tom Joseph Gordon-Levitt, conhecemos a história do nosso protagonista e como o próprio conheceu o que inicialmente ele descreve como VADIA –  Summer Zooey Deschanel. Calma, vamos aos poucos para ficar tudo entendido.

Divido em duas telas, o filme se propõe em mostrar o crescimento, tanto de Tom quanto de Summer. É incrível perceber que por mais que a história seja contada, mesmo sem nenhum diálogo aparente, alguns momentos ficam muito perceptíveis o porque da personalidade de ambos. Ela, desde pequena, nunca se apegou a absolutamente nada, nem mesmo àquelas coisas que ela realmente gostava. Tom, por outro lado, tem uma visão deturpada do que é o amor. Um romântico por natureza, faz com o rapaz tenha mais facilidade em se apaixonar por qualquer mulher que aparecer em sua frente.

Entretanto tenho que deixar claro, antes de mais nada: Não, a Summer não é uma vadia! 

Minha primeira experiência com esse filme foi um tanto superficial, minha visão romântica da história fazia com que eu tivesse a mesma reação de Tom a tudo que era apresentado por Summer. Cerca de um ano depois, assistindo as mesmas cenas, pude perceber uma mudança completa na minha interpretação aos fatos. Tom se apaixonou pelo que ele projetou ao conhecer a Summer, ela por sua vez, sempre deixou claro suas intenções em relação ao amor. Não é o fato dela não acreditar nesse sentimento, mas sim pelo simples motivo de não ter despertado o amor de verdade. Isso me fez perceber, já na segunda vez que Summer não era a antagonista da história, pelo fato não corresponder as expectativas dele. Em todos os momentos era evidente o desinteresse e como tudo que foi projetado, na verdade esteve sempre na cabeça dele.

Esse tipo de roteiro desperta algo curioso, não tão bem trabalhado em longa do gênero. O roteirista não quis pisar em ovos ao mostrar de forma crua algumas das nuances da realidade afetiva, coisas como responsabilidade emocional ou consequências da falta de diálogos reais, são claros ao longo dos flahs de dias em que apreciamos a história.

Expectativa x Realidade

O ponto principal que faz com que uma história aparentemente complexa tenha uma leveza é a bela direção de Marc Webb. Boa parte do filme é retratado com dois lados da questão, mesmo que a que prevaleça no final seja o ponto de vista de Tom. Separando a tela para nos mostrar o que eu costumo dizer que se trata de UMA REALIDADE DE TODOS NÓS, a expectativa vs realidade é algo que transforma tudo ali em palpável, quando falamos de sentimentos de uma pessoa apaixonada. Projetamos algo que não necessariamente vai acontecer, mas a questão é exatamente essa: NOSSA EXPECTATIVA.

Voltamos ao ponto em questão, todos as cenas trabalhadas são feitas para que o expectador inicialmente tenha Summer como alguém ruim. Desde sempre ela deixou claro sua ideia sobre o que era o amor, Tom por outro lado disse que ela saberia quando sentir. Na cabeça dele ela sentiria isso por ele, não foi o que ocorreu de fato.

Em momento algum ela evidencia que queria estar com ele para viver o amor de sua vida, Summer só queria aproveitar o momento, ele por sua vez,  se entregou completamente ao que ele tinha como REAL. Gostar de coisas idiotas em comum não é garantia de que ambos sejam alma gêmeas, eu sou prova viva de cult e trash podem dar tão certo quanto qualquer outros fãs de The Smiths.

O desenrolar do filme se compromete em mostra a rotina dentro desses 500 dias juntos, desde a construção de inicio de relacionamento ao ponto em que tudo desmorona. Tudo isso narrado de uma forma não linear, dando a visão de que quem testemunha, possa tirar suas próprias conclusões de quem está certo ou errado. No final das contas não existe essa de quem está errado, mas sim de como as coisas podem ser feitas para um bom convívio. Quando falamos de relacionamento, não existe um manual de como lidar com tais situações da vida.

Resumo de tudo

É uma história de um garoto que se apaixona por uma garota, mas ela não.

 

 

Reflexões sobre 500 dias com ela
4.6Pontuação geral
Originalidade
Fotografia
Trilha Sonora
Atuações
Desenvolvimento

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