Desde os tempos mais remotos, a humanidade se baseou em mitos e lendas para explicar aquilo que não conseguia entender. Sociedades inteiras foram fundadas sobre os alicerces de histórias sobre a origem da vida e criação do mundo. Mas havia aqueles que não se conformavam com essas explicações e buscavam em métodos científicos as próprias respostas. Daí nasceu a ciência, a busca pelo saber.

Os Humanos, de Matt Haig. Publicado pela Editora Jangada.

Essa busca foi diversas vezes retratada na literatura. Em um exemplo recente, temos a obra Os Humanos, de Matt Haig, que retrata um alienígena vindo para o planeta Terra e que passa a estudar o comportamento humano para poder, enfim, cumprir sua tarefa macabra. No livro, a humanidade é retratada em sua faceta mais natural, cheia de defeitos e imperfeições, mas alimentada pela vontade constante de descobrir e investigar o desconhecido.

E foi por meio de um inimigo desconhecido que Josh Malerman nos presenteou com seu incrível Caixa de Pássaros, publicado no Brasil pela editora intrínseca. Na obra, um grupo de sobreviventes lida com um inimigo oculto que leva suas vítimas à loucura com um simples olhar. De tal forma, os personagens usam vendas para evitar o contato visual. Porém, não é apenas o personagem sobrenatural que causa transtornos ao grupo sobrevivente, mas também os próprios colegas. Malerman, sabiamente, revela que o ser humano e sua complexidade psicológica pode sim ser um inimigo muito pior que as criaturas da obra.

O Casal que mora ao Lado, de Shari Lapena. Publicado pela editora Record.

Tal complexidade psicológica pode facilmente direcionar o ser humano a realizar atos hediondos, como no livro O Casal que Mora ao Lado, da autora Shari Lapena. Na obra, a filha de um casal desaparece e acompanhamos a busca pela criança. No desenrolar a história, somos apresentados a personagens que não sentem remorso algum ao ceifar uma vida em troca de dinheiro. Tais personagens representam o elemento desconhecido que os investigadores tentam entender e encontrar. Dessa forma, Lapena coloca no ser humano a faceta do enigma a ser desvendado.

Enigma este que move a literatura e faz vender livros. Os romances policiais estão recheados de inimigos ocultos que prendem nossa atenção até o final da narrativa. E, sabendo disso, Jeffery Deaver nos presenteia com o excelente O Colecionador de Peles. Na obra, o detetive Lincoln Rhyme persegue um assassino que mata suas vítimas ao tatuar em suas peles com venenos letais. E, durante toda a narrativa, o leitor aguça a curiosidade para descobrir a identidade do assassino.

O Colecionador de Peles, de Jeffery Deaver. Publicado pela editora Record

Desse modo, é a curiosidade humana em estudar e desvendar o que não entende a priori, que nos faz navegar em rios de Westeros ou viajar por galáxias muito, muito distantes. Assim como Malerman pontificou em Caixa de Pássaros, a dificuldade do ser humano em lidar com o desconhecido pode ser superada com a adaptação e audácia em explorar o inimaginável. Foi assim que Colombo descobriu a América e Armstrong pisou na lua. E é assim que a humanidade vai conseguir deixar os mitos e lendas para a literatura e se basear na ciência e na própria curiosidade para o que não consegue entender.

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