Eleanor Shellstrop (Kristen Bell) acorda e descobre que morreu e entrou na vida após a morte. Mas quando ela é informada por seu mentor Michael que ela está no “lugar bom” por causa de suas boas ações na terra, ajudando a levar as pessoas inocentes fora do corredor da morte, ela percebe que um erro foi cometido, pois todos ali pensam que ela é outra pessoa com o mesmo nome.

Presa em um mundo onde ninguém pode falar palavrão, ou fica bêbado e todo mundo é sempre bom, Eleanor encontra-se no dilema entre merecer ficar nesse lugar ou ir para o “lugar ruim”. Como sua entrada no “lugar bom” causou muitas alterações desde a sua chegada, agora, a impostora deve esconder seu passado comportamental mortal não tão perfeito de todos, caso contrário eles vão mandá-la para o “lugar ruim”.

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Com base nas suas ações na terra para onde você acha que iria depois de morrer? Essa não é necessariamente a premissa inicial da série, e sim na forma como aprendemos que nem tudo de bom ou ruim que fizemos na nossa vida podem definir quem somos para uma escolha final de viver em um “bom lugar”.

Imagine que nossa protagonista não é uma pessoa má. Ela não recebeu uma boa educação, teve que se virar cedo na vida, passou por várias coisas ruins; Eleonor não tem um coração ruim, ela em certo momentos até pensa sobre o quão errada são suas escolhas, mas o que são colocados em questão e que no final das contas decidiu seu destino eterno foram suas –ATITUDES-.

Atitudes ruins sobrepõem qualquer ato bom ou até mesmo o que a pessoa de fato é?

Por mais que existam humanitários, religiosos ou não e, pessoas que dedicam toda sua vida em prol dos outros, realmente são seres humanos unicamente bons? Qual é a linha tênue que diz o que é bom ou ruim e como isso é defino? Descubro tentando interpretar as metáforas da bíblia ou apenas sigo as regras de ética que a nossa sociedade define como o correto?

Depois de assistir a primeira temporada de “The Good Place” e ter colocado na lista de melhores coisas que aconteceram na minha vida em 2017, passei a refletir melhor sobre minhas ações, não por medo do pós morte e sim pelo simples fato de saber que algumas das minhas atitudes são consideradas erradas, até por mim mesmo. Se tenho o poder de mudar isso enquanto tenho essa consciência, então porque não fazer?

A série transita por essas questões, mas deixando a dúvida no ar de que poderia ser tarde demais repensar nos atos. Com personagens incríveis, ótimos atores e uma diversidade cultural tremenda. Fazem referências a outra series como friends, alusões a cultura pop e brincam ironicamente com coisas do dia a dia. Definitivamente é um show que eu indico bastante.

Temporada nova, narrativa nova

Quando a primeira temporada chegou ao fim, muito se especulava sobre a possível perda de originalidade, do que poderia vir a ocorrer futuramente na serie, à primeira vista The Good Place soava como algo inusitado, por mais que tivessem personagens característicos de qualquer série do gênero, esta tinha um “Q” diferente. Fator predominante que foi abraçado por diversas pessoas do mundo, principalmente aqueles que só conheceram por causa da plataforma Netflix.

Só que por mais que todos estivessem apreensíveis com a possível perca de narrativa, devido aos grandes acontecimentos do último episódio, o criador Michael Schur que também foi responsável pelos fenômenos “Parks and Recreation” e “Brooklyn Nine-Nine”, se mostrou totalmente coerente e perspicaz, dando a série uma narrativa totalmente diferente da anterior. As mesmas histórias estavam presentes, só que com um novo viés. Quem acompanhou tudo até aqui já não conseguia acreditar como era possível uma trama aparentemente boba e rasa poderia se transformar em algo tão grandioso.

As piadas se mostraram bem melhor elaborada, nada é por acaso e, uma agulha que cai no episódio um, tem efeito no episódio sete. Sem contar em como conseguimos de fato nos aprofundar nos personagens, aqui seus medos, frustrações, alegrias e principalmente a amizade entre eles foi algo crucial e que cresceu de forma significativa e me arrisco a dizer que superou muitas outras séries do estilo sitcom.    

Mais um ano, mais especulações

Bom, para que, acompanhou a série até o final da segunda temporada, sabe melhor do que ninguém que assim como a virada de narrativa que foi predominante entre a S1 e S2, para a terceira temporada tudo que conhecemos sobre Eleanor Shellstrop (Kristen Bell), Chidi Anagonye (William Jackson Harper), Tahani Al-Jamil (Jameela Jamil, Jianyu Li/Jason Mendoza (Manny Jacinto), Janet (D’Arcy Carden) e Michael (Ted Danson), poderá ser totalmente novo. Tenho mil teorias de possíveis acontecimentos e desenvolvimento de tramas em minha mente, mas não deixarei explicito aqui, minha pretensão é somente apresentar esse universo grandioso sem muitos spoilers.

Confere aqui o trailer:

O QUE É O BOM LUGAR?
4.8Pontuação geral
Originalidade
Fotografia
TRILHA SONORA
Atuações
Desenvolvimento

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