O mais novo lançamento da Editora Arqueiro é um suspense psicológico pelo autor A. J. Finn, que promete e cumpre o seu papel em deixar os leitores perturbados e ansiosos pra saber como o enredo de “A Mulher na Janela” vai se desenvolver com a nossa personagem principal e narradora, Anna Fox. Ela agora vive separada do seu marido Ed e sua filha Olivia, na casona onde só há memórias dos três juntos e desde separação Anna começa a ter agorafobia – um transtorno psicólogico que causa medo em estar em espaço aberto. Seus passatempos dentro da enorme casa basicamente são: vigiar os vizinhos com a sua Nikon, jogar xadrez online, conversar com pessoas que também tem a mesma fobia que a dela e conversar com marido e filha sempre acompanhada com uma taça de vinho (e seus medicamentos).

Anna tem uma rotina tranquila até certo ponto, o seu inquilino de porão a ajuda com atividades que requer sair da sua casa , como compras, consertos ou qualquer coisa que obrigatoriamente deve ser feita fora do seu ambiente seguro e tem o seu psicólogo que faz o atendimento esporadicamente na casa de Anna. Mas com uma nova família na sua rua, Anna não perde tempo em vigia-los e sua rotina vai para os ares. Os Russells é a novidade e mais novidade ainda é que Sra. Russells vai visita-la, algo que nenhum dos seus vizinhos antigos fizeram. Elas conversam, bebem, falam do passado, dos maridos e dos filhos. Até que é a hora de Sra. Russells ir embora e nunca mais aparece… Até o dia que Anna está xeretando a casa deles, escuta um grito e a vê com um círculo de sangue no peito. Tudo poderia ocorrer normalmente com a investigação? Poderia. Mas infelizmente a narrativa em primeira pessoa da Anna nos deixam totalmente perdidos e com zero confiança no que ela narra. Existe mesmo uma pessoa morta? Foi o marido quem matou? O filho dos Russells pode dar a Anna algum sinal de que há violência na sua casa? Tudo foi questionado pela personagem e tudo parece não ser de nenhuma importância quando a polícia é acionada e ela descobre que quem ela viu morta não era realmente a pessoa que ela tinha conhecido.

Eu particularmente adoro um livro de suspense psicologico que a narrativa pode ser falha, lembrando que Anna durante a história toda toma seu vinho e seus remédios que tem como efeito colateral as alucinações. E pra piorar, tudo que acontece ao passar das páginas é potencialmente uma alucinação de Anne, o tal assassinato da Sra. Russells (ou talvez não-Sra. Russells). E como lidar com isso? Não se lida, você tem que ficar lendo e lendo até cansar, até seu cérebro pedir arrego porque você simplesmente não quer parar de ler pra saber o que diabos está acontecendo na casa do vizinho, na própria casa da Anna, os vários suspeitos que vão aparecendo ao decorrer da leitura e inclusive a sua relação com seu marido e filha – que pra mim foi a parte mais fácil de se descobrir mas a forma que eles foram separdos é de partir o coração. Ler “A Mulher na Janela” foi literalmente uma leitura cansativa mentalmente porque toda vez que você achava que as coisas estavam caminhando para uma possível revelação o autor sempre consegue virar o jogo.

Outra coisa sensacional, que não vou entrar em detalhes porque simplesmente seria o maior spoiler do livro, é o vilão da história. Meus colegas, eu fui feita de otária com todas as letras, duvidei de X personagem, mandei a merda personagem Y, bati o martelo para quem seria o assassino na página 200 e quando foi feita a revelação eu só gritei. Eu não estava esperando por aquele vilão e o pior de tudo que as pistas estavam na minha cara, isso é o fim (ou não… significa que o autor fez seu papel certinho, em deixar seus leitores surpresos e revoltado com o final, obrigada!).

A Mulher na Janela com toda a certeza é meu livro favorito do ano e não é pra menos, é um livro completo para o meu gosto, com personagem principal forte e sua narrativa volátil, com personagens secundários necessários para que a história se desenvolvesse cheio de dúvidas de quem seria realmente o culpado e uma narrativa que te prende e flui de um jeito impossível de largar o livro a todo custo. E uma boa notícia é que o livro teve os direitos comprado para se tornar um filme, então logo logo poderemos assistir e ter uma visão adaptada de Anna Fox e suas paranóias… Ou não.

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O DESNORTEAMENTO EM ACREDITAR OU NÃO NA NARRATIVA DE "A MULHER NA JANELA"
4.9Pontuação geral
CAPA
REVISÃO
DIAGRAMAÇÃO
ORIGINALIDADE
PERSONAGENS
DESENVOLVIMENTO

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