Se em “As visões da Raven” fomos surpreendidos com tramas complexas como distúrbios alimentares, racismo, problemas de socialização e bullying, em “Raven’s Home” recebemos um roteiro bem elaborado, porém ainda muito a ser explorado.

Ao terminar a primeira temporada esse sentimento de nostalgia foi inevitável, Raven esteve presente durante boa parte do início da minha adolescência, assim como a de várias outras pessoas e a ideia do retorno através de um spin off me deixou um tanto apreensivo, por conta de várias outras produções de outros canais que acabaram não dando certo.

Entretanto, colhemos ótimos frutos, não sei se pelo fato da própria atriz principal ser a produtora executiva e isso tenha se tornado um fator que agregou para o bom desempenho no quesito nostálgico de tudo . Aqui as coisas são diferentes para Raven, se antes ela lidava com os próprios problemas e ainda se atrapalhava com suas visões, na nova série tem tudo isso, porém as coisas são densas agora que ela é mãe solteira de gêmeos pré-adolescentes. A proposta do seriado era buscar aquele público antigo que fez com que o show fosse uma referência de audiência para a Dinesy Channel, mas sem deixar de agradar novos fãs.

A serie mira nos filhos, mas acerta em cheio nos pais, tanto pela complexidade dos assuntos tratados, como também na forma como isso é feito. Mostrar a trama com dois pontos de vista, sendo eles a forma como uma mãe lida com um divorcio amigável e o lado dos filhos, onde é possível perceber todas as consequências de questões aparentemente simples podem causar na vida das pessoas e como isso molda a personalidade deles, foi genial.

Gosto como a produção manteve o foco inicial nos problemas comuns do dia a dia de uma família, por mais que o elemento sobrenatural (visões) seja o carro chefe, tudo que preenche esse espaço se torna um aprendizado. Crescer não é fácil e aprender lidar com o peso dessas coisas é o que torna tudo, como posso dizer “vida real”. É uma serie pra se identificar.

No final das contas, a história é muito boa, a comédia e o drama estão ali lado a lado. Porém o roteiro ainda apresenta algumas falhas em determinados plots, em alguns momentos as resoluções de tramas soavam repetitivas e careciam de mais criatividade.

Por fim, todos os personagens são bem trabalhados e aquela sacada de comédia que estávamos acostumados, se faz presente desde a primeira cena. Não sei se a série vai ganhar uma segunda temporada, mas me arriscaria a dizer que sim. Além de muito divertida, as tramas podem agradar tanto o público que cresceu amando a personagem como os novos que vão se identificar com os também novos membros do show.

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