Representatividade LGBT+ não é apenas colocar uma personagem LGBT em alguma história como uma cota a ser cumprida para que “ninguém possa reclamar depois”. É se importar com o desenvolvimento dessa personagem, fazer dela um ser complexo como as pessoas são na realidade (e essas pessoas não são apenas cis-héteros, pasmem!), dar espaço para que as pessoas com as mesmas vivências se identifiquem com a personagem e não se sintam estereotipadas. Personagens lésbicas, além de serem limitadas por causa da homofobia, também sofrem com a visão misógina de seus criadores. Mesmo com o crescimento de personagens mulheres que amam outras mulheres, é raro encontrar boa representatividade. Ao invés de nos contentarmos com migalhas, porque parecem ser tudo o que temos, devemos dar reconhecimento para trabalhos que de fato se importam com a existência de mulheres LGBT+, e um desses trabalhos tem o nome Melaço.

Melaço foi lançado recentemente no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) 2018, sediado em Belo Horizonte. É um livro em quadrinhos financiado pelo Catarse que superou a meta de apoio e consiste em sete curtas histórias sobre mulheres que se relacionam com outras mulheres. O livro, com quadrinhos em preto e branco, tem contribuição de diversas autoras, o que faz com que cada conto tenha um traço único e uma abordagem diferente da dos outros, ou seja, são histórias para todos os gostos.

Entre um aglomerado de personagens lésbicas que têm um fim trágico, Melaço é um alívio para moças lésbicas e bissexuais que enfim podem ver um pouco de felicidade para a mulher LGBT representada na ficção. As personagens não são completamente genéricas como estamos acostumadas a ver na pouca representatividade que temos e são identificáveis. As histórias, ainda que fechadinhas, deixam um gostinho de quero mais.

No livro, as várias personagens não são exclusivamente definidas por sua sexualidade, o que é um ponto muito positivo quando analisamos o cenário geral de personagens LGBT. Portanto, a leitora pode se sentir representada não somente pela vida romântica das mulheres do quadrinho, mas também pelos diversos conflitos presentes nas vidas delas.

Apoiar Melaço é apoiar a produção independente brasileira, além de apoiar mulheres quadrinistas e a representatividade LGBT em uma mídia que, infelizmente, não tem tanta visibilidade quanto, por exemplo, o cinema. No mês do orgulho LGBT (e durante todo o ano!), dê uma chance a novas narrativas que acertam na proposta e cumprem o que prometem: dê uma chance a Melaço!

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