Não é fácil escrever sobre “East of Eden”, já que este não é apenas um livro, e sim uma saga inteira – em 600 páginas relativamente grandes -, cheia de eventos, metáforas, personagens poderosamente desenvolvidos e significados, ambos ocultos e explícitos. A maior parte do enredo fala sobre os Trasks, desde o avô Cyrus, para seus filhos Adam e Charles, e os filhos de Adão, Caleb e Aron, abrangendo um período de quase 50 anos a partir da segunda metade do século 19 e até o final de A primeira guerra mundial. Também há excursões consideráveis ​​nas vidas dos Hamiltons – os ancestrais do próprio Steinbeck, que também tem um papel muito pequeno neste livro, tornando-o pelo menos quase autobiográfico. Não vou resumir o enredo, porque é bastante longo e não quero dar spoilers. O que eu quero citar são os inúmeros temas com os quais este livro lida. O maior é o bem, o mal e a luta entre eles. A maioria dos personagens principais representa algumas facetas dessa luta, e muita coisa é encoberta. Você tem o mal puro e profundo (Cathy), o mal com pelo menos alguma consciência (Charles), o bem puro (Sam Hamilton), o bom demais para este mundo (Aron), o confuso (Adam), e até mesmo a luta entre o bem e o mal como ocorre na mente do homem, um muito bem-sucedido (Lee) e um que falha bastante (Cal). O tema do bem e do mal também está ligado a outro tema importante do livro – o “replay” bíblico dos filhos de Adão, Caim e Abel. A impressão deste conto bem conhecido do livro de Gênesis é feita por referência explícita do próprio autor, repetida duas vezes – tanto por Adam e Charles e por Aron e Cal -, com resultados um pouco diferentes. Os personagens são extremamente bem desenvolvidos. Cathy é certamente o personagem mais maligno que eu Já vi descrito em um romance. O autor até a apresenta com estas frases arrepiantes: “Eu acredito que existem monstros nascidos no mundo para pais humanos. Alguns você pode ver, disforme e horrível […] E assim como existem monstros físicos, não pode haver monstros mentais ou psíquicos? […] Como uma criança pode nascer sem um braço, pode-se nascer sem bondade ou com o potencial de consciência. […] Para um homem nascido sem consciência, um homem de alma deve parecer ridículo […] É minha convicção que Cathy Ames nasceu com as tendências, ou a falta delas, que a levaram e forçaram todas a vida dela”.

Por outro lado, Sam Hamilton é um personagem extremamente positivo e simpático. Lee, o servo chinês, também é muito bem desenvolvido e é descrito como uma pessoa perturbadoramente inteligente e presciente. Outro assunto importante sobre o qual Steinbeck passa bastante tempo é o local de seu nascimento e início de sua vida, e onde a maior parte da trama acontece – o vale de Salinas, na Califórnia. De certa forma, este livro é uma homenagem a essa área, e Steinbeck desenha uma imagem muito articulada dele na mente do leitor por meio de numerosas referências e descrições pitorescas. Há outra citação do livro que devo comentar aqui. Ele vem do começo do capítulo 13 e não tem chance de não chamar a atenção de alguém com minhas convicções éticas. É bem longo, mas vale a pena:

“Nossa espécie é a única espécie criativa, e tem apenas um instrumento criativo, a mente individual e o espírito de um homem. Nada foi criado por dois homens. Não há boas colaborações, seja na música, na arte, na poesia, na matemática, na filosofia. Uma vez que o milagre da criação tenha ocorrido, o grupo pode construí-lo e ampliá-lo, mas o grupo nunca inventa nada. A preciosidade está na mente solitária de um homem. E agora as forças reunidas em torno do conceito do grupo declararam uma guerra de extermínio a essa preciosidade, a mente do homem. Pelo menosprezo, pela fome, pelas repressões, pelas direções forçadas e pelos impressionantes martelos de condicionamento, a mente livre e móvel está sendo perseguida, amarrada, embotada, drogada. É um triste curso suicida que nossa espécie parece ter adotado. E isso eu acredito: que o livre, A exploração da mente do indivíduo humano é a coisa mais valiosa do mundo. E isso eu lutaria por: a liberdade da mente para tomar qualquer direção que desejar, sem direção. E isso eu devo lutar contra: qualquer idéia, religião ou governo que limita ou destrói o indivíduo. Isto é o que eu sou e o que eu sou. Eu posso entender porque um sistema construído sobre um padrão deve tentar destruir a mente livre, pois isso é uma coisa que pode, por inspeção, destruir tal sistema. Certamente eu posso entender isso, e eu odeio isso e lutarei contra isso para preservar a única coisa que nos separa dos animais não criativos. Se a glória pode ser morta, estamos perdidos. religião ou governo que limita ou destrói o indivíduo. Isto é o que eu sou e o que eu sou. Eu posso entender porque um sistema construído sobre um padrão deve tentar destruir a mente livre, pois isso é uma coisa que pode, por inspeção, destruir tal sistema. Certamente eu posso entender isso, e eu odeio isso e lutarei contra isso para preservar a única coisa que nos separa dos animais não criativos. Se a glória pode ser morta, estamos perdidos. religião ou governo que limita ou destrói o indivíduo. Isto é o que eu sou e o que eu sou. Eu posso entender porque um sistema construído sobre um padrão deve tentar destruir a mente livre, pois isso é uma coisa que pode, por inspeção, destruir tal sistema. Certamente eu posso entender isso, e eu odeio isso e lutarei contra isso para preservar a única coisa que nos separa dos animais não criativos. Se a glória pode ser morta, estamos perdidos.”

Uau! John Steinbeck, eu o respeito. Pergunto-me quem foi influenciado por quem, por Ayn Rand ou o contrário. Para concluir, quero dizer que, apesar de gostar deste livro, não o achei brilhante. É claro que Steinbeck tentou uma coisa muito ambiciosa, mas conseguiu apenas parcialmente, o que não deixa de ser ótima leitura, que te deixa motivado para ler mais sobre Steinbeck.

"EAST OF EDEN", DE JOHN STEINBECK, UMA BOA PEDIDA PARA QUEM GOSTA DE LITERATURA AMERICANA
4.6Pontuação geral
CAPA
REVISÃO
DIAGRAMAÇÃO
ORIGINALIDADE
PERSONAGENS
DESENVOLVIMENTO

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