Fazendo shows em boates decadentes, Samantha tenta recuperar a fama que tinha quando comandava um programa infantil nos anos 80. Essa é a premissa de “Samantha!”, produção nacional que estreou na Netflix dia 6 de julho. A série curte tem sete episódios e é a primeira comédia nacional do serviço de streaming. Das redes sociais aos reality shows, a protagonista tenta de tudo para voltar aos holofotes.

O elenco é cabeceado por Emanuelle Araújo e conta ainda com Douglas Silva (o Acerola de “Cidade dos Homens”) como o ex-marido e ex-jogador de futebol Dodói, e Sabrina Nonato e Cauã Gonçalves como os filhos Cindy e Brandon. Ainda que Samantha seja a protagonista, cada personagem tem sua personalidade bem definida, até as crianças, o que deixa a série mais interessante e abre espaço para diferentes situações.

Cindy é feminista e vegana enquanto Brandon é o estudioso da casa e prepara a própria biografia aos oito anos. Os dois são muito ligados à mãe, que mesmo tentando retomar a carreira, não deixa de cuidar dos dois da melhor maneira que pode. As diferenças entre suas personalidades não são conflitantes, mas complementares. Os filhos muitas vezes fazem essa ponte entre as referências de fama que a mãe tem, ainda ligadas ao passado, com o mundo de redes sociais. Dodói, que saiu da cadeia depois de doze anos, também tenta se readequar profissionalmente, enquanto ainda busca retomar o tempo perdido longe dos filhos e da ex-mulher.

Ao estilo das sitcoms, cada episódio tem uma temática, com as diferentes tentativas de Samantha de voltar à fama. Lives de Instagram, propagandas e até ser jurada de programa de calouros são algumas das situações que movimentam a série. O humor ácido com frases rápidas dá agilidade ao roteiro coeso. Referências aos anos 80 estão por toda a série, mas não roubam a história, na medida certa. Piadas com lendas urbanas, como a de que o boneco do Fofão teria uma faca dentro, ou com grupos infantis como o Balão Mágico, são bem vindas e bem colocadas. O mascote Cigarrinho, por exemplo, é uma menção escrachada ao politicamente incorreto que marcou as produções infantis daquela época.

Diferente de “3%”, a primeira brasileira a ter assinatura da Netflix, “Samantha!” é uma série mais simples. Há poucas variações de cenário, cenas são muito focadas na casa da família, mas tecnicamente muito bem feitas. Os espaços são bem utilizados, mostrando a criatividade da produção, feita pela Los Bragas, produtora de Alice Braga – que, inclusive, faz uma participação especial. Nomes como Daniel Furlan (o Renan de “Choque de Cultura”), Alessandra Negrini e Gretchen também fazem aparições marcantes, unindo diferentes estilos de comédia em uma série que vale a pena acompanhar.

Conflito de gerações e corrida pela fama movimentam "Samantha!"
4.8Pontuação geral
originalidade
fotografia
trilha sonora
atuações
desenvolvimento

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