Distopias, distopias em todo lugar. Ultimamente os autores estão escrevendo cada vez mais sobre futuros em que a humanidade acabará dominada por algum tipo de máquina ou governo totalitário, ou mesmo, como Huxley previu em Admirável Mundo Novo, pela indústria do prazer. Mas ainda existe espaço para utopias em um imaginário tão tenebroso do futuro?

Anacrônico de Antony Magalhães trata sobre um futuro distópico.

Cunhado por Thomas More, a utopia pode ser entendida como uma realidade em que o ser humano, enfim, encerrou seus conflitos e atingiu, ou está em vias de atingir, seu objetivo. Um futuro em que exista cura para todas as doenças, guerras sejam inexistentes, e a ideia do dinheiro e da classe social não faça mais sentido, já foi idealizado anteriormente, em estranhos novos mundos, indo aonde ninguém jamais esteve, sim, estamos falando do gênio Gene Roddenberry.

Mas o que Star Trek pode trazer nos dias atuais que nenhuma outra mídia já não tenha apresentado? Bem, já dizia o pensador anônimo — e, se não disse, deveria dizer —, não importa o quão velha alguma coisa seja, ou quão aperfeiçoada as que vieram após a ela estejam, o original jamais deverá ser esquecido. Sob essa ótica, é impossível afastar o conceito de futuro que a obra de Roddenberry nos trouxe. Uma civilização tão avançada no campo filosófico e ético que consegue coexistir com seus semelhantes sem a necessidade da máquina de produzir capital que, bem sabemos, é a exploração.

Seja uma colônia, um povo, um gênero, a humanidade sempre encontrou na exploração de seu semelhante uma forma de lucrar. Na ficção, um exemplo disso é o filme Avatar. Dirigido por James Cameron, a película apresenta a ganância do ser humano em sua essência, e a necessidade de explorar outro planeta a fim de obter mais lucro, no caso, o planeta Pandora, lar dos Na’Vi, criando uma espécie de distopia para os alienígenas azuis. No entanto, no universo de Roddenberry, a evolução ética e sociológica da humanidade, impediu que essa exploração desenfreada a outros povos existisse.

A Nova Geração trazia em seus episódios todo o conceito e filosofia por trás da primeira diretriz.

A primeira diretriz, que rege especificamente que naves da federação não possam interferir diretamente no desenvolvimento de uma civilização, mostra, como foi dito em um dos episódios da série, que o ser humano não está no espaço para brincar de Deus, e que existem limites para o contato e convívio com outras espécies.

Fomos apresentados então a dois tipos de universo: aquele do futuro distópico e explorador de Cameron e a utopia da federação de Roddenberry. Se ultimamente os autores estão escrevendo mais sobre realidades distópicas, talvez seja porque estejamos enfrentando mais problemas no mundo do que encontrando soluções. De tal modo, seja qual for a realidade que surgirá no horizonte da humanidade, muitas obras existem, ora para nos alertar, ora para nos servir como exemplo. Qualquer que seja, nos resta ler e aprender.

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