Hollywood sempre adorou adaptar romances populares ao cinema. Nas últimas duas décadas, parece que as adaptações de romances para jovens têm aumentado, com os estúdios encontrando sucesso no reino da ficção científica/fantasia, especialmente com Harry Potter  e a saga Crepúsculo. No entanto, a ficção para jovens – isto é, a ficção que não se encaixa no gênero ficção científica/fantasia – também teve sucesso quando adaptada para a tela grande, especialmente no caso de A Culpa das Estrelas, embora tenha havido outras de menos notoriedade, como Cidades de Papel.  Agora, a 20th Century Fox encontrou outra grande sensação para o cinema.

Um drama romântico divertido, envolvente e inteligente onde uma conversa anônima de e-mail de um adolescente leva a algumas complicações e ao amor. Este é o filme Com amor, Simon.

O lançamento de março dos cinemas conquista a quem o assiste com sua simpatia e doçura. O enredo transforma alguns conflitos e questões de amadurecimento da adolescência em algo sutil e bonito, emocionando até os corações mais insensíveis, o que traz uma pitada à mais de sensibilidade e inteligência nos  clássicos do gênero “romance à distância com um anônimo”, como em Mensagem para Você.

ATENÇÃO! PODE CONTER SPOILERS!

Simon (Nick Robinson) tem uma ótima vida. Ele ama sua família, tem amigos e está indo bem na escola. Há apenas um grande segredo que ele mantém há algum tempo: ele é gay e não tem certeza se quer que todos saibam. Mas quando outro garoto aparece anonimamente na página de uma rede social da escola, Simon faz um novo amigo que lhe dá confiança para aceitar quem ele realmente é. O problema aparece, no entanto, quando Martin (Logan Miller), um colega de elenco do teatro, pega os e-mails privados de Simon e ameaça postá-los na página da escola se o garoto não convencer a sua amiga Abby (Alexandra Shipp) para sair com ele. O segredo de Simon está vazando e ele está com medo. Será pessoas que estão próximas podem amá-lo do jeito que ele é? E ele encontrará seu amigo virtual pessoalmente e encontrará finalmente o amor verdadeiro?

O enredo do filme vem cuidadosamente envolto em uma superestrutura conservadora e despretensiosa, e no mundo real nem todos na situação de Simon têm uma casa tão rica, sofisticada, uma cara coleção de vinis ou família e círculo social impecavelmente liberal e tolerante de amigos, cujas reações nunca estão em dúvida. Aqui a hostilidade é cuidadosamente deslocada para um casal de meninos obviamente homofóbicos, cuja função narrativa deve ser trucidada e depois tacitamente perdoada. O único outro garoto gay na escola é um pouco espirituoso e bem ajustado em sua compostura divertida. Na vida real, as coisas se mostram um pouco mais confusas do que isso, o que não extingue o lado inteligente, divertido e envolvente do filme.

Escrito por Elizabeth Berger e Isaac Aptaker, Com amor, Simon é o terceiro longa-metragem de direção do produtor de TV Greg Berlanti, que anteriormente dirigiu The Broken Hearts Club. Como gay assumido, Berlanti foi capaz de trazer uma grande dose de sinceridade ao retratar Simon tanto em momentos engraçados – como o garoto olhando para um paisagista em sua vizinhança – assim como nos momentos mais emocionais. Além disso, Berlanti aparentemente infundiu um pouco de si mesmo na história de Simon, que é especialmente aparente em uma cena em que ele imagina a sua vida como um estudante universitário gay em Los Angeles. A cena é uma divergência deliciosa de uma parte do livro que deu origem ao filme (Simon vs. a agenda Homo Sapiens) e é uma das muitas imaginações que permitem que o que está acontecendo na mente de Simon seja visto ao invés de ser dito para o público.

Em suma, Com amor, Simon é um clássico teen moderno para uma nova geração, que combina uma condição real para muitos com uma história igualmente romântica. O filme oferece uma história reconfortante de auto-identidade e amor em primeiro lugar que qualquer um pode encontrar. Embora o enredo provavelmente terá um maior significado para os espectadores adolescentes que se vêem em Simon, é um filme que todas as idades deveriam apreciar e se deleitar com a emoção contida nos detalhes.

Assista ao trailer legendado do filme.

COM AMOR, SIMON – UM ROMANCE DOCE QUE PODE SER O NOVO MARCO DO CINEMA LGBTQ
4.5Pontuação geral
ORIGINALIDADE
FOTOGRAFIA
TRILHA SONORA
ATUAÇÕES
DESENVOLVIMENTO

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