Uma das vantagens da leitura é a releitura, depois de muito tempo – ou nem tanto – você pega aquele livro de novo e sua opinião sobre ele muda totalmente ou permanece. Esse ano tive duas experiências totalmente diferente com releituras, no começo do ano reli uma ficção adolescente que há dois anos eu tinha amado com todas as minhas forças, não teria outro livro que o superasse mas todo esse sentimento foi para ralo na segunda vez que o li. E então apareceu “A Revolução dos bichos” para eu reler, já tinha lido porcamente (desculpe pelo trocadilho infame) quando eu estava no Ensino Fundamental, eu detestava ler os livros que a escola indicava para trabalhos em grupo e “A revolução dos Bichos” tinha sido uma dessas leituras obrigatórias que fiz e odiei. Até que uns dois meses atrás chegou o resto de mudança de casa e bisbilhotei umas caixas dando de cara com uma coleção de clássicos do meu tio e eis que “A Revolução do Bicho” estava lá, estragadinho mas pronto para ser relido. E a coisa engraçada foi terminar a leitura com a seguinte frase “eu amo um livro e vou protegê-lo”.

George Orwell é um autor que todo mundo conhece, não necessariamente já leu alguma obra dele mas pelo menos já ouviu falar tanto dele como suas obras, que são conhecidas por terem críticas sociais e políticas, o que não é diferente em “A Revolução dos Bichos”. Nesse, Orwell começa narrando a história com Major, o porco que acaba sonhando com a tal revolução dos bichos e efetivação do sonho com a expulsão de Sr. Jones, o antigo administrador humano da Granja Solar e sua nova liderança Bola-de-Neve e Napoleão, os porcos. Com eles na liderança da Granja dos Bichos – agora de novo nome – os animais ficam animados com a ideia de uma vida melhor sem a presença do Sr. Jones ou qualquer outro ser humano. Então, a primeira coisa criada para uma melhor convivência entre todos os animais tinha sido os mandamentos do animalismo, criado pelo porco Major antes de morrer, que ao decorrer da história vai se alterando conforme os interesses pessoais de Napoleão, o porco que acaba tomando a liderança total e ditatória da granja, depois da expulsão do porco Bola-de-Neve, acusado de traição.

 

Guerra é guerra. Ser humano bom é ser humano morto. – página 45

Aos poucos as coisas vão caminhando para a mesma realidade que a granja era com a administração do Sr. Jones – talvez até pior? – o que só fica claro para o leitor no caso, até porque os animais já nem se lembram mais de como era a vida com o Sr. Jones, não há nem como comparar. Mas há momentos que os animais têm seus pequenos questionamentos mas que é logo barrado pelo cavalo Garganta, o porta-voz do líder que está sempre discursando a favor de Napoleão e isso os influência. Napoleão de longe, é o personagem mais inteligente e ardiloso, cada vez que ele conseguia dobrar os outros animais para um benefício próprio e assim manter seu comando totalitário eu ficava impactada mas também com repulsa pelo personagem. Além de Napoleão e Garganta, outros personagens que teve sua importância na história foi Sansão um outro cavalo, que era o mais trabalhador e o mais leal aos ideias de Napoleão, um exemplo de animal a todos da granja. E Beijamin, o velho burro que se mantinha sempre neutro nos acontecimentos da comunidade mas desconfiava da forma que Napoleão agia, aparecia pouco mas era o mais #sensato.

“A Revolução dos Bichos” é aquela leitura por mais que a obra tenha já tenha seu setenta e quatro anos de publicação, não adianta, o enredo vai ser tão atual tanto quanto em sua primeira publicação. A tantas características humanas e políticas que foram apresentadas no decorrer do livro é impossível não fazer uma comparação com nossa sociedade atual e obviamente, podemos relacionar todas as críticas do autor na época da escrita de “A Revolução dos Bichos” tendo como cenário a Segunda Guerra Mundial e totalitarismo, e com o desenvolvimento da filosofia de Stalin e Marx, todos são aspectos que de alguma forma aparece e influência a história mas de um jeito sátiro com sua narrativa em estilo de fábula.

Se você nunca teve contato com a escrita do autor George Orwell deixo como indicação começar pela “A Revolução dos Bichos”, até porque é um livro bem curto e em um dia de ócio você consegue lê-lo. Se caso você tenha tido uma experiência como eu, leu pela primeira vez e odiou e desde então não deu outra oportunidade, aceite essa postagem como um sinal divino falando para você dar uma segunda chance.

Feliz seria ele se pudesse deixar-vos tomar decisões por vossa própria vontade; mas, às vezes, poderíeis tomar decisões erradas, camaradas; então, onde iríamos parar? – página 57

ATEMPORALIDADE DE "A REVOLUÇÃO DOS BICHOS"
4.9Pontuação geral
CAPA
REVISÃO
DIAGRAMAÇÃO
ORIGINALIDADE
PERSONAGENS
DESENVOLVIMENTO

Comentários