Assistir um seriado sobre um assassinato sem solução é muito mais do que lidar com a frustração. Você começa a acompanhar uma história que sabe não ter fim. Então o que resta ao espectador? As teorias. “Unsolved: The Murders of Tupac & The Notorious B.I.G” cumpre bem esse papel em seus dez episódios de quase uma hora cada. A série estreou em junho na Netflix, depois de ter ido ao ar na TV a cabo norte-americana, e acompanha duas investigações para a solução dos assassinatos dos rappers Tupac e The Notorious B.I.G..

Em uma trama complexa, a série tem três linhas temporais diferentes ao longo dos episódios. Uma mostra desde os rappers quando jovens e amigos, sendo descobertos por gravadoras e o início da rivalidade entre os rappers da Costa Oeste e os da Costa Leste dos Estados Unidos, no início dos anos 90. A segunda mostra o detetive Russell Poole (Jimmi Simpson) tentando desvendar o assassinato de Biggie, o Notorious B.I.G., ainda que indo contra ordens de seus superiores. A terceira linha do tempo acontece em 2006, com o detetive Greg Kading (Josh Duhamel) comandando o caso reaberto da morte de Biggie.

Os dois detetives, separados por praticamente uma década, vão encontrando sinais de que a morte dos dois rappers, que acontecera em um período de menos de um ano e em circunstâncias parecidas, podem estar ligadas. Percebem que os dois nem sempre foram inimigos, como a mídia e seus empresários queriam demonstrar, e que a influência de Suge Knight (Dominic Santana), fundador do selo Death Row Records, é maior do que se pensava.

Jimmi Simpson e Josh Duhamel entregam as melhores performances da série. Outros atores fazem um bom trabalho, mas a dupla é a força motriz de cada linha do tempo. Marcc Rose e Wavyy Jonez têm a difícil tarefa de incorporar Tupac e Biggie, respectivamente. Não há uma grande performance, mas os dois são competentes em seus personagens, e a semelhança física de ambos é chocante. Os episódios são bem escritos e, mesmo que possam parecer repetitivos por algumas falas que aparecem com frequência, são bem estruturados. As histórias pessoais de cada detetive são desnecessárias e quebram o ritmo do seriado, mas não o tornam maçante, logo o foco retoma seu rumo original.

Por mais que algumas teorias sobre o assassinato dos rappers tenham sido exploradas pela internet e pela mídia ao longo dos anos, “Unsolved” traz um frescor ao tema. Um dos diferenciais é a presença de Greg Kading na produção e roteiro do programa. Ele estava diretamente envolvido nas investigações, então consegue colocar detalhes interessantes pouco conhecidos.

Para quem nunca ouviu falar de Tupac ou Biggie, a série pode apresentar algum problema. A trilha sonora peca em incluir poucas músicas, e não apresenta os maiores sucessos dos rappers. Há até cenas dos dois juntos fazendo um freestyling, mas não se ouve “Ready to Die”, por exemplo, disco de B.I.G. considerado um clássico do rap. Mas nada que uma playlist dos rappers antes de assistir “Unsolved” não resolva.

As teorias dos assassinatos de Tupac e Biggie em "Unsolved"
4.2Pontuação geral
ORIGINALIDADE
FOTOGRAFIA
TRILHA SONORA
ATUAÇÕES
DESENVOLVIMENTO

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