Desde 2016 minhas leituras com personagens lgbt+ vem aumentando comparando com anos anteriores que até então tinha conhecido um total de zero personagens lgbt+ nas minhas leituras de novo adulto, fantasia, ficção adolescente e por aí vai. E “Apenas uma garota” é mais um livro que entra na minha lista de livros favoritos com personagens lgbt+ e quero contar um pouquinho para vocês como foi a minha leitura, que começou com a minha pessoa revoltada por ter descoberto o livro mês passado, sendo que ele tinha sido lançado o ano passado pela Editora Intrínseca – que infelizmente não fez um grandioso marketing para um livro tão importante, gostoso de ler e que é indicado para todas as idades.

Deixando o papo de marketing de lado, vamos ao mais importante, a história da Amanda a nossa narradora que intercala alguns capítulos entre o passado e seu presente. Seu passado é onde ela está mais solitária, está no processo de transição e sendo sincera com seus pais sobre sua transexualidade¹, isso depois de uma tentativa de suicídio. Já no presente Amanda está morando com seu pai, um homem que ela não teve muito contato e o pouco que teve não foram as melhores memórias que Amanda guardou dele e ela começa a estudar em uma nova escola em uma nova cidade com possíveis novos amigos que trás a Amanda um conflito de contar ou não sua história de vida, e como um bom e clichê de ficção adolescente Amanda tem o seu par romântico, que também faz com que ela questione se deve contar ou não a ele sobre sua história. Era conflituoso porque Amanda estava tendo seus melhores momentos na vida com suas novas amizades e sentindo amor – que é recíproco – por um garoto e ela ao mesmo tempo tinha medo de ser sincera com todos eles a acabar sendo deixada de lado, na melhor das hipótese.

A história de Apenas uma Garota é ficção adolescente e como uma boa ficção adolescente tem a questão de um recomeço, das amizades que devem ser mantidas e protegidas, amizades que devem ser deixadas de lado por serem tóxicas, o primeiro amor e amadurecimento, isso me fez gostar da história mesmo sendo um pouco mais do mesmo o que muda é que temos um livro protagonizado por uma garota trans, então as questões da comunidade trans é refletida em Amanda e suas opiniões, medos, alegria e todos seus sentimentos. Não esperem um livro com muito drama, onde nossa protagonista só sofre ou tem um fim trágico, Amanda passou por coisas ruins no seu passado e também passou no seu presente mas não era o que movia a história em si. Apenas uma garota é só a história de Amanda finalmente vivendo ou tentando viver.

“Você pode ter qualquer coisa – disse ela. – Se admitir que merece.” p. 289²

Mas o que mais gostei durante toda a história foi a relação de Amanda com seus pais, que foi o maior amadurecimento durante toda a história. A mãe de Amanda a acompanhou em toda a transição, em todos os flashbacks da Amanda a mãe sempre foi vista pra mim como uma mãe que apoiou a filha ao invés de se tornar uma mãe cheia de preconceitos ou violenta. Já a relação do pai da Amanda com ela foi um pouco mais difícil de início, ele estava tentando tratá-la no mínimo com pronomes femininos e tudo mais, mas virava e mexia ele acabava “estragando” uma parte que tinha sido contruída no relacionamento dos dois, mas isso foi melhorando com o passar da história. Acredito que foi um recado da autora Meredith Russo de “as coisas vão ficar bem”. Inclusive com Amanda e suas novas amigas, mas só que com os pais eu fiquei mais tocada.

“Pelo menos você é tão inteligente quanto eu sempre achei (…). Neste mundo, ser mulher significa ter medo. É ele que vai mantê-la em segurança. Vai mantê-la viva.” p. 389

“Apenas uma garota” é uma leitura que indico para todos, é uma leitura rápida de fácil entendimento – até deixo uma dica pra quem for ler o livro começar pela “nota da autora” tem algumas explicações necessárias da autora que talvez possa dar um norte pra quem nunca ouviu falar ou muito menos deu atenção ao T da sigla lgbt+.

 

¹ Trans e Cis, o que são esses termos? Resumidamente, uma pessoa cis é uma pessoa que não é trans. Ou seja, é uma pessoa que se identifica com o gênero que foi designado ao nascimento. Já as pessoas trans não se identificam com o gênero que lhe foi designado ao nascimento.

² as páginas das quotes são referente as páginas do e-book do livro.

AMANDA É APENAS UMA GAROTA
4.7Pontuação geral
CAPA
REVISÃO
DIAGRAMAÇÃO
ORIGINALIDADE
PERSONAGENS
DESENVOLVIMENTO

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