Não dá para negar que grande parte dos filmes de terror segue um padrão. Você pode assistir a 10 filmes sobre assombrações e 11 deles terão um roteiro previsível e final parecido, falhando em te deixar tenso ou em te causar medo, aspectos essenciais para o sucesso do gênero terror. Ainda que você varie entre narrativas sobre entidades, criaturas e serial-killers, ainda fica a sensação de que você já viu aquele filme antes. Mas se você é fã desse tipo de filme, provavelmente procura em todos os cantos por algum que foge, pelo menos um pouco, da mesmice, e aqui está o que você provavelmente procura: Hush: a morte ouve.

O longa-metragem de 2016 mostra o desespero de Maddie Young (Kate Siegel), uma escritora que, ao retirar-se para uma casa afastada para focar em sua escrita, é encurralada por um assassino em série e tranca-se na casa para tentar sobreviver. O que há de diferente nessa premissa é o fato da protagonista ser surda. Dessa forma, ela não pode contar com a audição para auxiliá-la em descobrir a localização do serial-killer, em saber, por exemplo, se ele está forçando alguma porta para tentar entrar na casa e, enfim, matá-la. Além disso, sem poder, também, falar, Maddie não conseguiria gritar por ajuda caso alguém aparecesse aos arredores.

Ao contrário do que acontece com a maioria dos personagens de filmes de terror, Maddie não toma atitudes imprudentes que nos fazem revirar os olhos. Ela se mostra muito inteligente e perspicaz, pensando em diversas estratégias para conseguir fugir do assassino e fazendo o possível para colocá-las em prática. Como Maddie é escritora, ela usa para sua situação crítica o mesmo tipo de pensamento que a ajuda a desenvolver o enredo de seus livros. Podemos, então, acompanhar sua linha de raciocínio, analisando possíveis ações e as consequências delas, que levariam ao sucesso ou ao fracasso de um plano. A protagonista é cautelosa e planeja tudo meticulosamente, movida por uma forte vontade de permanecer viva.

Hush desperta a tensão do espectador na medida certa, intercalando bem cenas de ação e suspense. Assistindo à luta de Maddie, a aflição é certa. É fácil nos colocar no lugar dela, torcer por ela e desesperar-nos ao pensar que, talvez, se realmente estivéssemos naquela situação, não conseguiríamos escapar da morte. Outro ponto positivo é que o filme não usa jump scares excessivamente, não é essa a base do terror de Hush, o que já é um grande diferencial quanto a nomes muito conhecidos do gênero.

Hush: a morte ouve apresenta todos os elementos necessários para se fazer um bom filme de terror e não decepciona ao longo do roteiro. É bem pensado, bem dirigido, apresenta uma trilha sonora bem colocada e uma protagonista forte, inteligente e humana. No entanto, ela é a única personagem a ser desenvolvida, o que é entendível, considerando as circunstâncias dos eventos mostrados e a duração do longa. A atuação de Siegel também é ótima, sendo fundamental para a construção de Maddie: ela consegue mostrar por suas expressões todo o medo e desespero da personagem, ainda que não possa usar a voz. Definitivamente, Hush é o filme certo para quem procura um pouco de tensão para agitar a semana.

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