Bom dia pessoal, tudo bem com vocês? Espero que sim! Curtindo a série sobre o livro de Tzevtan Todorov, “A Literatura em Perigo”? Hoje, quero começar nossa conversa fazendo uma pergunta para os nossos queridos leitores e leitoras: como você acha que deveria ser o estudo do texto literário?

Você acha que o estudo da literatura deve primar pela abordagem que traz como elementos principais, os aspectos ou características do texto literário com o intuito de que aprendamos a classificá-lo enquanto pertencente a um período ou outro? Ou você pensa que o texto literário deve ser estudado levando em conta os elementos que constituem a obra em si?

Difícil responder?

Em minha opinião, um texto literário encerra nele mesmo, parte do espírito do seu tempo! Com isso quero dizer, por exemplo, que você pode compreender muito sobre a história da França lendo “Os Miseráveis”, ou então ter uma alta compreensão sobre a vida de meninos pobres na Bahia, lendo “Capitães da Areia”.

Quando você faz a leitura de obras como essas, é capaz de compreender o não-dito pelos livros de História, os quais trazem em si o relato dos vencedores e deixam para trás (ou nublam o sentido) da voz dos vencidos. É o momento em que você consegue perceber que existem particularidades na História, subjetividades e olhares que não conseguem ser captados, a não ser quando nossos olhos encontram essas particularidades através de um texto literário.

Mas existe algo mais além dessa ampliação da nossa compreensão das coisas…

Existe o sentido que o texto literário confere ao nosso universo particular quando nos dedicamos a ele. Quando fazemos dele nosso melhor amigo, mesmo que por alguns minutos apenas por dia. Esse sentido sofre certa crítica por parte da academia, pois nunca será suficientemente científico para agradar como convém a tradição dos saberes instituídos, ou se vocês preferirem, institucionalizados.

Eis a razão porque ultimamente tenho me sentido mais a vontade para escrever sobre meus pontos de vista aqui!

Assim como Todorov, penso que a tradição universitária não consegue conceber a literatura como encarnação de um pensamento ou expressão de uma sensibilidade. Penso que, quando esta tradição se fecha nos “ismos” (romantismo, naturalismo, parnasianismo etc.), acaba por perder de vista o próprio texto e a sua expressão enquanto elemento que pode ser utilizado para interpretar o mundo.

E se a literatura não pode ser utilizada para tal, então, por que estudá-la?

Essa pergunta nós tentaremos responder no nosso próximo e último artigo da série! Fiquem ligados!

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