Olá pessoal, conforme prometido seguimos com a nossa série de artigos sobre a obra de Tzvetan Todorov, “A Literatura em Perigo”. No post de hoje, quero falar sobre um dos tópicos que considero  importante neste livro, no qual Todorov comenta sobre como a literatura ficou reduzida ao absurdo no ambiente escolar.

Compartilho com vocês a minha impressão em relação aos apontamentos de Todorov! Vamos lá?

Uma das questões trazidas pelo autor em sua obra é esta: o que a literatura ensina na escola? Dito de outra forma, como a escola ensina literatura? E a pergunta deve ser feita não só para e escola propriamente dita como para os cursos de Letras também! Na opinião de Todorov, o instrumental do qual os estudos literários se serve não conduz à reflexão sobre a condição humana, muito menos leva a uma discussão em relação ao ser humano e sobre a sociedade onde vivemos.

Raramente se fala sobre algo para além do que a crítica diz em relação ao texto literário. E vem daí o questionamento proposto pelo autor búlgaro: por que não estudar o objeto em si, ou seja, o texto literário? Por que não questionar a obra e o seu sentido, ou o mundo que ele evoca?

 

 

De acordo com Todorov, o modelo de estudos que a literatura oferece hoje aos alunos nas instituições escolares está mais próximo da história que dá própria literatura (sem desmerecer o valor da história aqui, hein pessoal? Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa!). Isso me faz lembrar uma crítica que o intelectual cubano José Martí fez aos historiadores (categoria na qual eu me incluo). Nela, o pensador dizia que nós nos preocupávamos com todos os povos e esquecíamos a nossa própria história. Com o texto literário me parece mais ou menos do mesmo jeito: nós nos preocupamos com o seu estilo e nos esquecemos do próprio texto.

 

Quando trilhamos o caminho que nos faz observar como a obra se estrutura em termos de análise ou quando nos debruçamos sobre a história da literatura propriamente dita, enquanto meio de acesso ao texto literário, esquecemos muitas vezes do texto literário em si. E ele é quem deveria ser a estrela do nosso espetáculo. A opção pelo estudo da literatura centrada nesta forma, não substitui o estudo do sentido da obra, que é o que deveria nortear todo o processo.

Para Todorov, o estudo da literatura deveria trazer em si o motivo pelo qual estudamos um texto literário, qual seja compreender a finalidade das obras que julgamos dignas de serem estudadas efetivamente. Quem lê deveria fazê-lo objetivando encontrar um sentido para a sua própria existência, uma compreensão melhor do ser humano, do mundo que o rodeia.

Eis, em última instância o conhecimento que o estudo da literatura deveria nos proporcionar: não um fim em si mesmo, mas um caminho que oferecesse a cada um uma realização pessoal.

No próximo  artigo discutiremos um pouco mais sobre essa questão!

 

 

 

 

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