Esta série de artigos tem por tema abordar a obra do linguista búlgaro Tzvetan Todorov, intitulada “A Literatura em Perigo”. Todorov nasceu na cidade de Sofia, no ano de 1939 e em 1963 imigrou para Paris. No livro que apresentaremos a você, o autor faz uma séria crítica à maneira como a literatura é abordada enquanto conteúdo escolar. Isso quando ela ainda existe enquanto elemento que compõe o ambiente do ensino.

Não pretendo discutir com vocês o conceito de literatura ou falar sobre escolas literárias e coisas nesse sentido. Deixo isso para os críticos. O que eu quero mesmo é responder duas perguntas:  por que a literatura está em perigo? Que ameaça ela representa?

Acompanhe a nossa trajetória e tente desvendar esse mistério!

Não é segredo para ninguém que vivemos em uma sociedade onde as pessoas têm gostado cada vez menos de ler. E mesmo assim a literatura sobrevive através de textos que são conhecidos como best seller, ou seja, aqueles livros que vendem milhões de exemplares. É o caso das obras de Paulo Coelho, G. R. R. Martin, J. R. R. Tolkien, J. K. Rowling, entre outros.

Na opinião de Todorov, um dos fatos que faz com que esse tipo de fenômeno aconteça está no sentido de viver que a literatura desperta. Ou seja, o texto literário faz com que a gente consiga descobrir novos mundos os quais vão se colocando em continuidade com as nossas experiências enquanto seres humanos.

Nesse sentido, a literatura torna o nosso cotidiano mais denso e nos permite ampliar nosso universo, fazendo com que alcancemos novas formas de concepção da realidade e também outros níveis de organização, inclusive intelectual. Quando chegamos a estes novos patamares, conseguimos interagir melhor com as outras pessoas!

Isso quer dizer que a literatura nos fornece elementos muito ricos para que possamos nos tornar a cada dia seres humanos melhores. A leitura de um texto literário faz com que tenhamos sensações únicas e torna o nosso mundo muito mais pleno e belo, pois aciona elementos das nossas vidas que ampliam a nossa sensibilidade.

Quem aqui nunca leu uma passagem em algum livro que trouxe um sorriso aos seus lábios? Ou uma lágrima aos seus olhos? Ou um sentimento de raiva nosso em relação ao autor, por ter matado aquele personagem que era nosso favorito? Essas sensações que o texto literário traz são únicas e plenas de subjetividade, no sentido de que, mesmo que eu leia a mesma história que você, não necessariamente sentirei a mesma coisa! Afinal somos seres humanos com várias diferenças e isso influencia a maneira como lemos (e experimentamos a leitura).

Se a literatura possibilita ao ser humano tornar-se mais humano, só isso já seria um motivo para que nós a amássemos infinitamente! Então, por que parece que ela fica, às vezes, reduzida ao absurdo?

Aguarde o próximo artigo e vamos ver o que Tvzetan Todorov tem a nos dizer sobre isso!

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