Olá pessoal! Tudo bem com vocês? Na semana passada, encerrei meu artigo com uma pergunta ao público: se a literatura não pode ser utilizada para interpretar o mundo, então por que estudá-la? Diante deste contexto quero, utilizando-me das premissas de Todorov, dizer as razões pelas quais a literatura deve ser estudada como premissa para interpretar o mundo, assim justificando (o que nem deveria fazer, porque não se justifica o óbvio!) a sua importância.

A literatura apresenta um amplo espaço de ação e poder sobre as nossas vidas e em relação a elas. Ela pode ser um instrumento para nos estender a mão, quando estamos deprimidos, criando pontes através das quais podemos nos aproximar de outros seres humanos, porque à medida que caminhamos por essas pontes, nos tornamos mais humanos.

Assim, nossa compreensão do mundo melhora o que nos ajuda a conviver com as diferenças e com a diversidade, pois nos revela outro sentido sobre as coisas. E esse novo sentido começa a ser mostrado a partir do que realmente interessa, ou seja: a partir do nosso olhar e das mudanças que o texto literário provoca em nós mesmos.

 

Entendida por este prisma, a literatura se apresenta enquanto espaço de tradução do pensamento. Nessa transmutação ela pode tornar forma, através da palavra, a experiência humana. Quando vivenciamos a leitura de um texto literário e alcançamos a sua compreensão e a sua complexidade, vivenciamos não só a leitura em si, mas também outras maneiras pelas quais a experiência do existir se desdobra.

E quem nos conduz nessa caminhada é o escritor. Nunca imaginei dizer isso, pois nunca me imaginei escritora. Mas hoje, quando rabisco uma ou outra palavra e crio em minha mente um universo de fantasia, fico esperando ouvir, mesmo que longinquamente a risada de algum leitor ou leitora, perdido no devaneio do pensamento que transformo em história.

Mas não faço isso com a pretensão de impor a quem me lê coisa nenhuma! Apenas tento dar forma a um objeto, ou expressar de algum jeito um determinado acontecimento. Ou tento caracterizar elementos que permitam ao sujeito que lê a criação das suas próprias teses. A criação da sua autonomia.

Eis o que penso que a obra literária causa (ou pelo menos deveria causar!) nas pessoas: um “tremor dos sentidos”, como diz Todorov, a ponto de convulsionar a nossa imaginação! E como essa é a sua prerrogativa maior, ela não pode pretender o mesmo prestígio (ou chatice! Pronto falei!) da ciência. A literatura não nasce e nem precisa para nascer, da confirmação de fatos ou da aprovação de pares.

Ela não precisa formular sistemas de preceitos e muito menos conceitos. Fazer isso é como tentar prender a água com as mãos. O fato de ela ter a força de escapar por quaisquer frestas, por menores que sejam, habilita a audição de verdades que seriam totalmente desagradáveis aos nossos ouvidos, mas que se tornam audíveis exatamente porque ela existe. E existe para além dos “ismos”…

A LITERATURA É!

E sou sincera em dizer que isso me basta. Gratidão, Todorov, por você me haver ensinado sobre isto…

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