Por que a palavra suicídio assusta? Por que um seriado sobre esse tema se tornou algo “polêmico”?

Por que é tão difícil falar sobre o fato de que (às vezes) as pessoas pensam em se matar?

Por que não podemos conversar sobre isso?

 

Para cada uma das perguntas acima, há pelo menos umas cinco respostas envolvendo ponderações de cunho religioso, familiar, cultural, social e comportamental. Mas não é sobre isso essa discussão, muito menos o que a igreja, a sociedade ou a psicologia diz. Neste exato momento, isso não importa, não é o foco aqui!

Essa reflexão é, simplesmente, sobre o fato de que é “comum” pensar em se matar e “fácil” se deixar levar por esse sentimento de finalização. Mesmo porque temos à disposição inúmeras formas de realizar tal ato: bebidas, remédios, drogas, carros, motos, pontes, prédios, plataformas do metrô. Você já olhou atentamente para elas? É assustador mas, ao mesmo tempo…

 

E por que, definitivamente, não podemos conseguimos conversar sobre isso?

Aliás, por que o suicídio é algo que incomoda tantas pessoas?

 

Simplesmente porque esse assunto ainda é um tabu. Não conseguimos (e muitas vezes não podemos) falar sobre isso, seja dentro de nossas casas, com nossa família ou nossos amigos. Muito menos a escola pode abordar esse tema.

Porém, muitos acreditam que o jornal, a televisão e o rádio, estes, sim, são os principais responsáveis por incitar as pessoas a cometerem o terrível ato de ceifar sua vida, de definir seu próprio destino. Há uma espécie de código de conduta entre (alguns) profissionais dessas áreas. É por esse motivo que vemos poucas matérias abordando essa temática. A exceção são alguns veículos sensacionalistas e as redes sociais, que evidenciam tal situação e a transformam em uma espécie de um espetáculo sombrio.

E quando a temática do suicídio (e muitas outras) entra em nossos lares por meio de um seriado juvenil?

 

 

Se você ainda não assistiu a primeira temporada de 13 Reasons Why (2017), disponível na Netflix, eis aqui um convite à discussão. Trata-se de uma adaptação do livro Th1rteen R3asons Why (2007), de Jay Asher. A série tem produção executiva de Selena Gomez, direção de Thomas McCarthy, de Spotlight: Segredos Revelados (2015) e foi roteirizada pelo vencedor de um prêmio Pulitzer, Brian Yorkey.

A obra traz um olhar sobre o período mais conturbado de nossas vidas – a adolescência – e os problemas que muitos de nós tivemos (e temos). Dentre eles estão o cyberbullying, a depressão, o suicídio, a solidão, a invasão de privacidade, a influência das amizades, a ansiedade e os abusos sexuais e emocionais.

Os episódios ainda provocam um questionamento sobre a omissão dos pais, dos amigos e da escola sobre as situações diárias de violência que muitos jovens passam devido ao fato das redes sociais comandarem a vida contemporânea. Além do mais, muitas cenas nos interpelam sobre os nossos disfarces sociais, aquelas máscaras sentimentais diárias que colocamos logo pela manhã.

De maneira sensível, a produção conta a história de Hannah Baker (Katherine Langford), uma jovem que se suicidou. Contudo ao invés do “clichê” da temível carta de despedida, ela deixou 13 fitas contando o seu ponto de vista sobre tudo que sofreu na escola. Todos os envolvidos se tornam culpados e cúmplices e em cada fita estão as possíveis explicações dos “porquês” de ela cometer tal ato.

A cada episódio escutamos junto com Clay Jensen (Dylan Minnette) uma das fitas e entendemos um pouco mais sobre a vida da bela caloura da escola… que, aliás, podia ser qualquer pessoa. As feridas abertas por Hannah, ao longo das cenas, nos fazem rememorar determinados momentos já superados com a vida adulta – será mesmo verdade? Você acredita nisso? Foram superados?

SEGUNDA TEMPORADA

Ou seja, Hannah não é um caso isolado, algo que só ocorre na ficção. A violência (sexual ou emocional), o bullying, a depressão e, como consequência, o suicídio é uma realidade e uma discussão necessária na atual sociedade. Você está preparado(a) para isso? Então venha desarmado(a) dos estereótipos de que suicídio é um ato covarde, corajoso, mesquinho ou fútil. O suicídio é um ato individual, mas em sua essência muitos são os envolvidos.

Essa será exatamente a temática da sequência da série (data oficial de estreia: dia 18 de maio de 2018). Na próxima temporada os expectadores terão acesso ao ponto de vista de todos os personagens envolvidos na vida de Hannah Baker, bem como as problemáticas da juventude vivenciadas por cada um.

Aliás, a Netflix adotou uma estratégia diferente na introdução da primeira temporada e que será mantida na próxima. Após pesquisas sobre as repercussões do seriado e também devido às várias críticas de organizações de saúde mental, a empresa resolveu alertar sobre o conteúdo do seriado.

 

 

 No vídeo acima, os atores do elenco trazem a seguinte mensagem para o espectador:

“13 Reasons Why é uma série ficcional que aborda questões difíceis do mundo real, como agressão sexual, uso de drogas, suicídio e muito mais. Falando sobre esses temas complicados, esperamos que nosso programa estimule uma conversa. Mas se você estiver passando por algum destes problemas, talvez essa série não seja para você, ou seja melhor assisti-la com um adulto confiável. E, se sentir que precisa conversar com alguém, fale com seus pais, com um amigo, um conselheiro escolar, ou um adulto em quem confia, ligue para um serviço de ajuda local […]. Porque quanto mais você falar sobre isso, fica mais fácil”.

Uma vez que a discussão proposta pela série amplia nossa visão sobre o fato, esse aviso é essencial, pois vários gatilhos podem ser acionados…

 

Os inúmeros "porquês" de 13 Reasons Why
4.6Pontuação geral
ORIGINALIDADE
FOTOGRAFIA
TRILHA SONORA
ATUAÇÕES
DESENVOLVIMENTO

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